Descrição do projeto

A proposta para a Route Kénitra (RN1) e áreas adjacentes, numa extensão de aproximadamente 8 km, está divida em cinco zonas de intervenção consecutivas ao longo das quais se pretendeu uma requalificação rodoviária e arquitetónica do espaço urbano.

Na entrada sul da cidade de Salé – Zona 1 – a proposta assentou na potenciação desta vasta área enquanto momento de transição e entrada/saída de Salé. O mote da intervenção passou pelo aproveitamento da muralha da Medina e o seu simbolismo histórico suportada na reestruturação dos jardins adjacentes à mesma, com o objetivo de ordenar os diferentes espaços e portas da Medina ligando as mais recentes intervenções aí realizadas. Dotámos ainda esta zona, com uma “Pérgula Comercial”, estabelecendo um polo de atração central.

Na Zona 2, suportada nas preexistências, a proposta de integração e valorização urbana passou pelo entendimento patrimonial do Aqueduto Sour-Al-Kouass, bem como da antiga pedreira, no sentido de os monumentalizar, integrados num contexto mais abrangente de valorização patrimonial e arquitetónica do lugar.

Já a proposta de integração e valorização urbana da Zona 3, passou pelo entendimento do enorme valor sociocultural das pequenas hortas urbanas – as Sanyates. Aí propusemos a criação de uma cintura verde que permitiu unir vários pontos estratégicos da cidade, e assim dar origem ao “Parque Hortícola de Salé” constituído por múltiplas Sanyates, devidamente reorganizadas e integradas paisagisticamente. Como forma de assegurar uma ligação franca entre os dois principais polos do parque hortícola, propusemos a criação de um conjunto de passagens aéreas, assumidas como elementos de arte urbana que, com o seu desenho harmonioso garantiam a ligação entre os dois lados da RN1, promovendo uma acessibilidade pedonal reforçada. A par deste Parque Hortícola e atendendo às preexistências, potenciámos a reorganização do polo industrial.

A requalificação da Zona 4 passou pelo reforço dos aspetos relacionados com a imagem urbana, incoerente, descontínua e descaracterizada. Este reforço materializou-se no tratamento dos elementos arquitetónicos, urbanos e paisagísticos existentes e na criação de novos elementos qualificadores da via no seu todo. Para isso estabelecemos um novo Polo Comercial e um Campus Desportivo.

Por fim, a Zona 5, funcionava como a entrada/saída norte de Salé. Na abordagem a esta zona, apostámos numa estratégia de valorização do espaço urbano residual patente entre a via-férrea e a estrada de Kénitra. Essa valorização foi alcançada pela criação de um novo jardim público entre os eixos rodoviário e ferroviário, potenciando este espaço.

A análise de cada zona e a identificação das suas valências específicas foi o ponto de partida para estratégia diferenciadora da A1V2, concretizando-se na beneficiação da rodovia e dos espaços urbanos envolventes, integrando as referências culturais e patrimoniais existentes.

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Ficha do Projecto – Requalificação Urbana do Eixo Salé-Kénitra [PDF]